A Revista Planeta Azul

Há muito a Pedagogia discute e, ao mesmo tempo, se ressente de um projeto político-pedagógico capaz de transpor os limites do ensino propedêutico, alicerçado na transmissão de conteúdos pré-existentes e na visão restrita da formação tecnicista de crianças, jovens e adultos.

É quase unânime o pensamento dos grandes e modernos teóricos da educação, a exemplo de Piaget, Vigotsky, Freire, Anísio, dentre outros, quanto à necessidade da escola orientar-se pela formação do ser humano íntegro e integral, nas suas múltiplas dimensões, sejam elas intelectivas, afetivas ou sociais.

No entanto, é notório o insucesso da instituição escolar quando persiste no caminho da formação curricular tecnicista, desprezando os fatores ambientais, psicossociais, econômicos, sociais e culturais, que interferem na aprendizagem.

Impõe-se assim uma revisão da teoria e prática pedagógicas, na direção e no alargamento das fronteiras da formação humana, aqui entendida como uma aprendizagem enriquecida pelos pressupostos da ética, da estética e dos mais nobres valores humanos. A ideia de promover uma ação pedagógica no âmbito escolar encontra-se fundamentada no postulado pedagógico da formação do ser humano íntegro e integral.

Assim, a pretensão da educação de operar como estratégia de desenvolvimento humano e transformação social sinalizam para uma nova pedagogia – A PEDAGOGIA DE VALORES.

Foi perseguindo essa nova ótica e ética das relações ensino-aprendizagem que várias escolas do Brasil identificaram no projeto PLANETA AZUL da Fundação Mokiti Okada, uma perspectiva prática e inovadora de construção de valores na formação das crianças.

O projeto Planeta Azul, baseado em revistas literárias que são elaboradas a partir de situações e vivências extraídas da realidade das crianças que frequentam o ensino infantil e ciclos do ensino fundamental, trabalhando a reflexão teórico-prática dos valores que habitam ou desabitam o universo simbólico dessas pessoas. Honestidade, altruísmo, verdade, sinceridade, solidariedade, fraternidade, gratidão, dentre outros valores são objeto de um diálogo rico e lúdico entre professores e alunos, sedimentando comportamentos e hábitos que promovam a sociabilidade, o respeito e a construção de uma vida em comunidade saudável e próspera para todos.

A Revista Planeta Azul – Por Um Mundo Melhor foi desenvolvida para fortalecer a formação de sentimentos positivos já nos primeiros anos da infância, atualmente a maioria dos pais encontra-se fora do lar, por razões diversas, quando os principais problemas na formação do ser humano ocorrem ficando sem respostas no devido tempo. Nesta fase os problemas são simples de serem resolvidos, evitando efeitos nocivos tanto na adolescência, quanto na juventude e na idade adulta. A revista atua nesta fase de forma preventiva antes que os problemas agravem-se.

Em 1987, surgiu o primeiro esforço através do ensaio denominado Revista Girassol, direcionada para crianças de pré-escolas, e de escolas do ensino fundamental. Gradativamente foi encontrando novos desafios e evoluiu para a história em quadrinhos, hoje na forma da Revista Planeta azul por um Mundo Melhor.

Atualmente é editada em oito edições anuais e distribuída pela Fundação Mokiti Okada, correspondentes aos meses do ano letivo, cada uma composta com histórias verídicas, vividas pelas crianças em sala de aula, em suas famílias ou na comunidade, e contadas para outras crianças, adaptadas aos personagens de forma simples e sincera.

Seus personagens representam animais em extinção, abordando temas como: bondade, cortesia, perdão, respeito aos pais, familiares e ao próximo, preservação da natureza, organização, limpeza pessoal e em família, a verdadeira alimentação saudável, arte e beleza, atuando na formação do caráter altruísta e espiritualista das crianças.